Mulheres que marcaram a história da Corte de Contas
Pioneirismo, representatividade e transformação no controle externo brasileiro.
Por quase um século, a história das instituições superiores brasileiras foi escrita sob uma única perspectiva de gênero. Até 1980, nenhuma mulher havia assinado uma decisão como ministra em um tribunal superior no país. Foram 87 anos (de 1893 a 1980) sem presença feminina no topo das estruturas de poder que moldam a Administração Pública brasileira.
Esse cenário começou a mudar com a chegada de mulheres que romperam barreiras e abriram caminhos para as gerações seguintes. No âmbito do controle externo, essas trajetórias são marcos não apenas institucionais, mas também sociais.
A primeira mulher em um Tribunal Superior

A mudança começou com Élvia Lordello Castello Branco, um nome que se tornou símbolo de pioneirismo. Sua trajetória teve início ainda na década de 1950, quando foi aprovada em 19º lugar no primeiro concurso realizado pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) do Rio de Janeiro, em 1956.
Anos depois, em 1987, Élvia faria história ao se tornar a primeira mulher a ocupar o cargo de ministra no Tribunal de Contas da União (TCU) e, mais do que isso, a primeira mulher a integrar um tribunal superior em toda a história do Brasil.
Sua atuação contribuiu para o fortalecimento da Administração Pública e abriu portas para que outras mulheres pudessem ocupar espaços de decisão. Em reconhecimento, seu nome foi eternizado no Anexo III do TCU em 2011.
Avanços no Tribunal de Contas da União

Em 2011, Ana Arraes tomou posse como a segunda mulher ministra da história da Corte.
Sua atuação foi marcada pelo rigor técnico, pela defesa do interesse público e pelo compromisso com uma fiscalização cada vez mais eficiente e transparente. Durante o período em que exerceu a Presidência do TCU, entre 2021 e 2022, buscou consolidar o papel das mulheres em posições estratégicas, aumentando, significativamente, a representatividade feminina em cargos de liderança no TCU.
O protagonismo feminino no MPTCU

No âmbito do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União, o protagonismo feminino também possui raízes sólidas. Em 1995, Maria Alzira Ferreira tornou-se a primeira mulher a integrar a instituição, após aprovação no primeiro concurso público realizado para o cargo de Procurador. Anos mais tarde, em 2003, ela alcançou um novo marco ao assumir o cargo de Subprocuradora-Geral.
Seu ingresso e ascensão representaram marcos de pioneirismo e reafirmaram a importância da diversidade na construção de instituições mais justas e eficientes.

Décadas depois, em 2017, outro momento histórico foi registrado com a posse de Cristina Machado da Costa e Silva como a primeira mulher a assumir a Procuradoria-Geral do MPTCU.
Durante sua gestão, tem se destacado por trazer para o centro do debate institucional temas como equidade de gênero, inclusão e fortalecimento do papel social do controle externo, o que vem ampliando o alcance e a relevância da atuação ministerial.
Um caminho que segue em construção.
Apesar dos avanços, os números revelam que a presença feminina nos mais altos cargos das instituições públicas brasileiras é baixa e ainda em está em consolidação. Em mais de um século de história do TCU, apenas duas mulheres alcançaram o cargo de ministra, uma o cargo de subprocuradora do MPTCU e uma o cargo de Procuradora-Geral do MPTCU.
Esse dado reforça que a construção de um ambiente mais diverso e representativo é um processo contínuo e absolutamente necessário.
Compromisso com o futuro
Neste mês dedicado às mulheres, o MPTCU reafirma seu compromisso de lutar pelo incremento da presença feminina nos espaços de decisão. Em parceria estratégica com o TCU, a instituição atua para fortalecer políticas de igualdade de gênero e fiscalizar a aplicação de leis de inclusão social para mulheres vítimas de violência, garantindo que o controle externo atue como agente de transformação para a autonomia e dignidade das mulheres. Mais do que um valor institucional, a diversidade de gênero qualifica o gasto público e humaniza a fiscalização, consolidando uma administração pública mais justa, eficiente e conectada às reais necessidades da sociedade.